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sexta-feira, maio 1, 2026

Trabalho de cuidado: pesquisadora diz que mulheres vivem jornada “7×0”

Boa parte dos trabalhadores brasileiros está em descanso no feriado de 1º de maio, Dia do Trabalhador. Uma exceção a essa regra são as pessoas responsáveis pelos cuidados de crianças, idosos e pela manutenção do lar, cujas atividades continuam cotidianamente, inclusive em feriados e fins de semana.

Dados do IBGE mostram que as mulheres dedicam, em média, quase dez horas a mais por semana às tarefas de cuidado e ao trabalho doméstico em relação aos homens. Essa disparidade coloca sobre elas uma carga contínua de serviços não remunerados que sustenta a organização familiar e social.

A pesquisadora Cibele Henriques, professora do Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), estuda a temática do cuidado e é cofundadora do Observatório do Cuidado e do Fórum de Mães Atípicas do Rio de Janeiro. Segundo seus levantamentos e observações acadêmicas, as tarefas de cuidado atravessam o afeto e são frequentemente naturalizadas como obrigação feminina, o que contribui para a manutenção da desigualdade de gênero no trabalho doméstico.

A dupla jornada é um fenômeno recorrente: muitas mulheres acumulam emprego remunerado fora de casa com a responsabilidade pelo lar e pela família. Em dias de folga, parte desse tempo é direcionada a afazeres domésticos, reduzindo a possibilidade de descanso pessoal. Há ainda diferença entre classes sociais: mulheres de maior renda conseguem transferir parte desse trabalho por meio da contratação de serviços, enquanto mulheres negras e de regiões periféricas enfrent mais dificuldades para delegar essas tarefas.

Especialistas em políticas de gênero e trabalho alertam que a dependência econômica decorrente da sobrecarga de cuidado pode dificultar a saída de relações violentas, já que a falta de renda própria limita alternativas. Além disso, projeções demográficas indicam envelhecimento populacional no Brasil, o que aumentará a demanda por cuidados simultaneamente às necessidades já existentes de atenção à infância.

Diante desse cenário, pesquisadores e organizações do campo do cuidado apontam a necessidade de políticas públicas estruturantes que organizem uma rede de suporte e serviços de cuidado. A criação e fortalecimento de programas públicos poderiam distribuir responsabilidades, reduzir a informalidade do trabalho doméstico e aliviar o ônus que recai, desproporcionalmente, sobre as mulheres.

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