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segunda-feira, maio 18, 2026

Bolívia soma 23 bloqueios e protestos antigoverno chegam a La Paz

Os protestos na Bolívia seguem pressionando o governo do presidente Rodrigo Paz, que enfrenta uma onda de bloqueios de estradas e marchas em várias regiões do país. Nesta segunda-feira (18), a Administradora Boliviana de Estradas (ABC) registrou 23 pontos de interdição em rodovias.

A maior concentração dos bloqueios está na região de La Paz, onde 13 vias permanecem fechadas por manifestantes. Também há interrupções nas estradas que ligam a capital a Oruro, Potosí, Santa Cruz e Cochabamba.

Os atos têm provocado falta de alimentos, combustíveis e outros itens básicos nos mercados da capital boliviana. Segundo a imprensa local, grupos de manifestantes se concentram nos arredores de La Paz e devem seguir em marcha em direção ao centro da cidade, onde fica a sede do governo.

No fim de semana, a polícia reprimiu protestos em diferentes pontos de El Alto, na região metropolitana de La Paz. A Defensoria Pública da Bolívia informou no sábado (16) que os confrontos deixaram 47 pessoas presas e cinco feridas. Organizações camponesas também afirmam que pelo menos dois manifestantes morreram na cidade.

A defensoria relatou ainda casos de agressões, bloqueio ao trabalho da imprensa e choques entre manifestantes e moradores em áreas afetadas pelos bloqueios.

A mobilização se espalhou por diversos setores sociais, reunindo camponeses, indígenas, mineiros, professores e outros grupos. As manifestações começaram a ganhar força após medidas adotadas por Paz no início do mandato, em dezembro de 2025, entre elas o fim do subsídio à gasolina.

A crise se aprofundou depois da aprovação de uma lei sobre terras, criticada por camponeses e indígenas sob a alegação de que favoreceria grandes empresários do agronegócio em detrimento dos pequenos produtores. O governo argumentava que a medida buscava fortalecer a agricultura em meio à crise econômica. Diante da pressão, o texto foi revogado na semana passada, mas os protestos continuaram.

Entre as organizações que aderiram à mobilização está a Confederação Nacional de Mulheres Bartolina Sisa, uma das principais entidades camponesas do país. O grupo convocou suas bases a participarem das marchas e bloqueios e acusa o governo de reprimir os atos enquanto afirma estar aberto ao diálogo.

O governo, por sua vez, sustenta que os protestos têm incluído o uso de armas de fogo e dinamite. A administração boliviana também atribui parte da instabilidade a grupos ligados ao ex-presidente Evo Morales. Em resposta, o governo ameaça prender qualquer pessoa encontrada portando armas ou explosivos durante as mobilizações.

Morales afirma que as manifestações representam a insatisfação popular e contesta as acusações de que estaria por trás da crise. Já a Central Operária Boliviana, principal central sindical do país, denuncia a prisão de lideranças e pede que a população continue nas ruas.

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