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terça-feira, junho 23, 2026

Campina Grande já registrou mais de 400 grupos de quadrilhas juninas

Campina Grande, na Paraíba, mantém um papel central na tradição dos festejos de São João no Brasil. Ao longo de sua história, a cidade já reuniu mais de 400 grupos de quadrilhas juninas. Hoje, esse número gira em torno de 14 agremiações.

O dado faz parte da pesquisa “As Quadrilhas Juninas do Brasil”, realizada pela Quaest em parceria com o YouTube. O estudo traz um diagnóstico inédito sobre o setor no país e dedica um recorte específico à realidade do município paraibano.

A investigação ouviu quadrilheiros, dirigentes, lideranças, brincantes e outros participantes da manifestação cultural, de forma presencial e virtual, entre os dias 8 e 21 de maio deste ano. O objetivo foi mapear cinco dimensões: organização e gestão, financiamento, intersecções sociais, plataformas digitais e estratégias de valorização.

Segundo o levantamento, as quadrilhas juninas vão além da dança e da tradição festiva presente em todos os estados brasileiros. Elas se consolidam também como espaços marcados pela presença feminina, pela diversidade e pelo impacto sobre a juventude das periferias.

Em Campina Grande, das 14 quadrilhas existentes, seis têm mulheres na presidência. Ainda assim, a pesquisa aponta que a atuação feminina é mais ampla, concentrando funções de liderança, fundação, coreografia, gestão, produção de figurinos e outras atividades essenciais para o funcionamento dos grupos.

O estudo também mostra que essas agremiações funcionam como ambientes de acolhimento e proteção para a comunidade LGBTQIAPN+, com participação expressiva em áreas como direção criativa, maquiagem e coreografia. A pesquisa destaca ainda avanços sociais ligados à inclusão de damas trans e da figura da rainha da diversidade.

Outro ponto ressaltado é o papel das quadrilhas na formação social e comunitária de seus integrantes. Para muitos participantes, os grupos representam convivência, disciplina e afirmação de identidade, com forte presença de jovens de bairros periféricos e de baixa renda.

A pesquisa também indica que o ciclo junino ocupa praticamente o ano inteiro. Depois das apresentações, que começam em maio e seguem por junho e julho, o planejamento da temporada seguinte costuma avançar entre agosto e outubro. Nesse intervalo, grupos seguem com ensaios, costura de figurinos e produção de adereços. Em cada quadrilha, cerca de 100 a 300 pessoas podem estar envolvidas ao longo do processo.

Apesar da geração de trabalho, da importância turística e do impacto econômico, o estudo aponta dificuldades financeiras recorrentes. A falta de recursos permanentes obriga grupos a recorrer a rifas e outras ações comunitárias para custear figurinos e estrutura. Os repasses públicos costumam atrasar, e os valores das premiações não cobrem os gastos totais, levando muitas lideranças a encerrar a temporada com dívidas pessoais.

O relatório completo está disponível no site da Quaest.

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