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sexta-feira, junho 26, 2026

Paixão pelo futebol expõe brasileiros à publicidade de bets, alerta Idec

Na Copa do Mundo, o aumento da atenção do público em torno do futebol também eleva o potencial de expansão das apostas esportivas. O alerta é do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), que vê nas bets um risco ampliado em momentos de grande mobilização emocional.

A entidade avalia que eventos desse tipo ampliam a exposição da população à publicidade de casas de apostas, alcançando não apenas quem já aposta, mas também consumidores ocasionais e pessoas em situação de vulnerabilidade.

O posicionamento do Idec foi feito após a divulgação de uma pesquisa da Softswiss, empresa internacional de tecnologia para plataformas de jogos online. O estudo indica que a Copa deste ano pode aumentar em pelo menos 50% o volume global de apostas esportivas em relação ao torneio anterior, realizado em 2022.

Segundo a empresa, o mercado que movimentou cerca de US$ 35 bilhões na última edição pode chegar a aproximadamente US$ 52 bilhões neste ano. A expansão do torneio pela Fifa, que passou de 32 para 48 seleções e de 64 para 104 partidas, é apontada como um dos fatores que impulsionam esse crescimento.

No Brasil, estimativas do setor indicam que os apostadores do país podem responder por cerca de 10% do volume global. Esse percentual pode crescer se a seleção brasileira avançar às fases finais da competição.

Dados reunidos pelo Placar das Bets, plataforma criada pela empresa de análise de dados Klavi, mostram que o ritmo de apostas no país já é alto. Desde 9 de junho, dois dias antes da abertura oficial da Copa, os brasileiros gastaram cerca de R$ 530,21 milhões em casas de apostas.

O levantamento também mostra que, até o início do torneio, cada apostador brasileiro havia desembolsado em média R$ 188. Nesta quinta-feira (25), o valor médio chegou a R$ 242.

Para o Idec, a expansão do setor reforça preocupações sobre os efeitos sociais e de saúde pública associados às apostas online, legalizadas em 2018 e regulamentadas em 2023. A entidade considera insuficientes as regras atuais de publicidade e defende mudanças mais rígidas para conter a naturalização das apostas no país.

O instituto também aponta riscos relacionados ao endividamento, à perda de renda e ao impacto psicológico sobre consumidores. A entidade sustenta ainda que a publicidade do setor costuma apresentar as apostas como forma de entretenimento fácil e lucrativo, sem destacar adequadamente os prejuízos já observados.

Especialistas em finanças e comportamento também associam o crescimento das apostas à força emocional dos grandes eventos esportivos e ao avanço da tecnologia, que facilita o acesso às plataformas por celular. Em meio à Copa, a combinação entre visibilidade, emoção e campanhas publicitárias tende a ampliar o interesse de torcedores habituais e ocasionais.

O tema também envolve o impacto econômico. Parte dos recursos que migram para as apostas deixa de circular em outros setores do consumo, enquanto o mercado ganha força como fonte de arrecadação tributária e de negócios para áreas como tecnologia, mídia e infraestrutura digital. Além disso, as casas de apostas ampliam sua presença no futebol brasileiro por meio de patrocínios a clubes, campeonatos e veículos esportivos.

Diante desse cenário, especialistas defendem campanhas permanentes de educação financeira, regras mais duras para a publicidade e mecanismos de prevenção ao jogo compulsivo. A ideia é reduzir danos antes que o problema se transforme em endividamento e outras consequências mais graves.

A Agência Brasil procurou a Associação de Bets e Fantasy Sport (Abfs), mas não obteve resposta até a publicação da reportagem.

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