Trabalhadores do Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM), na região central de São Paulo, afirmam que obras em andamento na unidade estão sendo feitas sem as medidas adequadas de proteção, o que colocaria em risco pacientes e funcionários. As denúncias foram apresentadas pelo Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias no Município de São Paulo (Sindsep).
Segundo a entidade, há nove frentes de intervenção no hospital sem que haja, na avaliação dos trabalhadores, o devido gerenciamento de riscos ocupacionais. O sindicato afirma que áreas críticas chegaram a ser isoladas apenas com plástico preto e fita crepe, sem barreiras consideradas suficientes para uma unidade de saúde.
A prefeitura, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, informou que o HSPM passa por um amplo processo de modernização de sua estrutura, com previsão de conclusão até o fim deste ano. A pasta diz ainda que as obras são acompanhadas pelas equipes de Engenharia, Segurança do Trabalho e Controle de Infecção Hospitalar da unidade.
O Sindsep sustenta que reformas em hospitais exigem planejamento rigoroso para não afetar o atendimento nem o fluxo de trabalho. A entidade também questiona a execução simultânea de várias intervenções, sem um plano de contingência detalhado.
Entre os principais riscos apontados está a poeira gerada pela obra, que poderia aumentar a chance de contaminação e provocar problemas respiratórios. O sindicato também relaciona o material particulado à presença do fungo Aspergillus, cuja inalação pode causar aspergilose, infecção grave especialmente perigosa para pessoas com o sistema imunológico comprometido.
As reclamações incluem ainda excesso de ruído em áreas de internação, inclusive próximas à pediatria e à UTI pediátrica. O sindicato diz que os relatos de trabalhadores indicam falta de contenção sonora e presença de poeira em setores assistenciais.
Em abril, o Sindsep já havia denunciado outras situações consideradas graves durante a reforma, como alagamento em um dos andares do hospital e paralisação de parte dos elevadores. Na ocasião, a entidade informou ter levado o caso ao Centro de Vigilância Sanitária.
A Resolução da Diretoria Colegiada 50/2002, da Anvisa, estabelece regras para obras em unidades de saúde. Em áreas cirúrgicas, a norma prevê barreiras herméticas, conforme referência à NBR 7256 da ABNT.
Após vistoria, o Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo informou que as obras ocorrem em áreas de circulação interna e que foram observadas medidas de controle já adotadas pelo hospital. O órgão também recomendou reforço no controle de poeira, no isolamento das áreas em obra, na sinalização de segurança, na limpeza e no gerenciamento de riscos. Além disso, sugeriu acompanhamento pelo Centro de Referência em Saúde do Trabalhador para monitoramento dos impactos ocupacionais.




