Julho Âmbar: mês de acolhimento às famílias que perderam seus filhos, instituído por lei no calendário oficial do Estado

O mês de julho ganhou em Mato Grosso do Sul uma campanha voltada à conscientização sobre o luto parental. Chamado de Julho Âmbar, o período foi criado para ampliar o debate sobre a perda de filhos, além de estimular acolhimento, informação e a formulação de políticas públicas para mães, pais e famílias enlutadas.

A mobilização foi oficializada em 2023, quando o Estado incluiu a data no Calendário Oficial por meio da Lei Estadual nº 6.147. A iniciativa prevê ações de orientação e apoio, com foco também na capacitação de profissionais da saúde e da educação para lidar com essas situações de forma mais sensível.

O tema ganhou visibilidade a partir de relatos de mulheres que enfrentaram aborto ou a morte de um filho ainda na gestação. Entre esses casos está o da jornalista e advogada Ana Maria Assis de Oliveira, que perdeu uma gravidez em 2019, com nove semanas. Hoje mãe de Chico, de 3 anos, ela afirma que a experiência transformou sua forma de encarar a maternidade.

Além da dimensão emocional, o Julho Âmbar também chama atenção para os números da mortalidade infantil no Estado. Dados do Painel Mais Saúde do governo estadual apontam taxa de 10,81 mortes por mil nascidos vivos em 2026, até julho, com 179 óbitos entre 16.558 nascimentos. As principais causas registradas foram septicemia do recém-nascido, complicações ligadas à gestação de curta duração e ao baixo peso ao nascer, e malformações congênitas do coração.

O levantamento mais recente do IBGE, referente a 2023, mostra taxa de mortalidade infantil de 13,55 por mil nascidos vivos em Mato Grosso do Sul, com 545 mortes de crianças com menos de um ano. Em Campo Grande, o índice foi de 11,58 por mil nascidos vivos, com 138 óbitos.

A discussão sobre luto parental também se conecta ao trabalho da Associação de Apoio às Crianças com Câncer (AACC/MS), que mantém o grupo Transformando a Dor. A iniciativa oferece apoio a familiares que perderam crianças e adolescentes em tratamento oncológico e promove encontros, principalmente on-line, além de atendimento psicológico individual.

A entidade afirma que o acompanhamento começa no diagnóstico e se estende ao tratamento e aos casos de óbito. Em 2025, a AACC/MS registrou 17.910 atendimentos multiprofissionais, acompanhou 323 crianças e adolescentes, realizou 6.346 hospedagens, serviu 31.676 refeições, contabilizou 677 internações no Cetohi e distribuiu 1.338 cestas básicas e sociais.

Criada em 1998, a associação diz ter ajudado a modificar o cenário da oncologia pediátrica no Estado, com avanço nas taxas de cura de cerca de 10% para aproximadamente 70%. Para a instituição, o suporte às famílias continua mesmo após a morte da criança, dentro de uma proposta de acolhimento que respeita o tempo de cada pessoa.

OUTRAS NOTÍCIAS

REDES SOCIAIS

6,759FãsCurtir
122SeguidoresSeguir
6,890InscritosInscrever
spot_img

VÍDEOS