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sexta-feira, janeiro 16, 2026

UNAIDS diz que combater desigualdades pode reduzir o risco de pandemias

O Conselho Global sobre Desigualdades, Aids e Pandemias lançou em português o relatório “Rompendo o ciclo da desigualdade — pandemia — construindo a verdadeira segurança na saúde em uma era global” durante a 57ª reunião da Junta de Coordenação do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids). O encontro definirá a estratégia global para a Aids no período 2026–2031, que será levada a negociações com países do G20.

O documento foi apresentado num momento em que o Brasil preside o conselho do Unaids. A organização aponta que cortes abruptos na assistência internacional, incluindo decisões de governos como o dos Estados Unidos, reduziram recursos para controle, tratamento e pesquisa da Aids, comprometendo a resposta global à doença.

Evidências e impacto das desigualdades
O relatório consolida evidências de que desigualdades e determinantes sociais influenciam fortemente o surgimento e a disseminação de pandemias. Segundo o estudo, existe um ciclo vicioso: altos níveis de desigualdade favorecem surtos e dificultam respostas, tornando pandemias mais longas, letais e disruptivas, enquanto as próprias pandemias ampliam essas desigualdades.

A publicação baseia-se em dois anos de pesquisas e reuniões realizadas em diversos países. Entre as crises analisadas estão Covid-19, Aids, Ebola, Influenza e Mpox. O relatório identifica fatores de risco e aponta ações necessárias para respostas mais eficazes a futuros surtos e epidemias.

Dados sobre vulnerabilidades
Análises citadas no relatório mostram que educação, renda, moradia e condições ambientais definem grupos mais vulneráveis durante emergências sanitárias. Estudos compilados indicam que pessoas sem educação básica chegaram a ter probabilidade até três vezes maior de morrer por Covid-19 em comparação às com ensino superior. Populações negras, indígenas e residentes em favelas e periferias registraram taxas mais elevadas de infecção e mortalidade.

O documento também destaca impacto diferenciado sobre mulheres, especialmente mulheres negras, citando aumento da mortalidade materna — de 57,9 óbitos por 100 mil nascidos vivos em 2019 para 110 em 2021, alcançando 194,8 entre mulheres pretas — e perdas de emprego que agravaram a vulnerabilidade socioeconômica.

Desigualdade global e acesso a tecnologias
O relatório alerta que desigualdades entre países ampliam a vulnerabilidade global, prolongam pandemias e elevam a mortalidade. A pandemia de Covid-19 intensificou a concentração de renda nos últimos cinco anos, o que agora influencia o acesso a novas tecnologias de saúde. Exemplos citados incluem inovações para prevenção do HIV, cujas difusão e disponibilidade dependem de fatores econômicos.

A publicação reforça também evidências anteriores de que atrasos no combate a pandemias aumentam seu impacto no desenvolvimento. Mantida a dinâmica atual, doenças como Aids, malária e tuberculose permanecem entre as maiores ameaças à saúde pública global.

Recomendações para interromper o ciclo
O conselho propõe uma mudança na abordagem da segurança sanitária global, com ações práticas em níveis nacional e internacional. A estratégia PPR (Prevenção, Preparação e Resposta) do relatório traz quatro recomendações principais:

– Reorganizar o sistema financeiro global, incluindo renegociação de dívidas, repensar linhas e instituições de financiamento de emergência e eliminar políticas de austeridade pró-cíclicas.
– Investir na prevenção dos determinantes sociais das pandemias por meio de mecanismos de proteção social.
– Fortalecer a produção local e regional de vacinas, diagnósticos e insumos, criar nova governança para pesquisa e desenvolvimento e tratar o compartilhamento de tecnologias como um bem público essencial.
– Construir maior confiança, equidade e eficiência nas respostas por meio de redes de governança multissetoriais que envolvam sociedade civil e governos.

O relatório conclui que essas medidas são viáveis e necessárias para quebrar o ciclo entre desigualdade e pandemias, ampliar a resiliência de comunidades e reduzir a probabilidade, gravidade e custo de futuras crises sanitárias.

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