A legislação dos Estados Unidos limita a 60 dias o uso de forças militares em conflitos sem autorização expressa do Congresso. No caso da campanha iniciada por Donald Trump contra o Irã, esse prazo vence em 1º de maio, podendo ser prorrogado por mais 30 dias se o presidente notificar o Congresso por escrito e alegar necessidade militar para a retirada das tropas, conforme previsto na Resolução dos Poderes de Guerra de 1973.
Democratas apresentaram quatro resoluções no Congresso tentando barrar a ofensiva, sem sucesso. Na quarta-feira (15), uma nova proposta de resolução foi derrotada no Senado por 52 votos a 47, com um voto de um senador democrata a favor da continuação das ações e um voto republicano contra a posição do presidente.
No governo, houve mudanças: o chefe do antiterrorismo da administração Trump, Joe Kent, renunciou ao cargo em desacordo com a justificativa de ameaça iminente do Irã às autoridades norte-americanas.
Parte do próprio partido republicano tem manifestado insatisfação com a continuidade do conflito, citando impactos econômicos como a alta dos combustíveis. Pesquisas de opinião indicam que cerca de 60% dos norte-americanos rejeitam a guerra. Alguns senadores pediram que a Casa Branca apresente um detalhamento completo da situação e dos planos caso pretenda solicitar a prorrogação do prazo por mais 30 dias.
Também há tentativas de afastar o presidente pela 25ª Emenda da Constituição dos EUA, mecanismo que prevê a declaração de incapacidade do presidente para exercer o cargo, medida que dependeria do apoio do vice-presidente J.D. Vance. Esse movimento ganhou força após declarações de Trump sobre o Irã que foram interpretadas como ameaças extremas ao país.
O governo enfrenta ainda protestos massivos contra a guerra e políticas migratórias, batizados de “Não ao Rei”. Organizações e líderes estimam que milhões de pessoas saíram às ruas no final do mês passado, em manifestações qualificadas por alguns organizadores como as maiores da história recente dos EUA.
Negociações e cessar-fogo
O Paquistão lidera as tentativas de mediação para encerrar o conflito. Está em vigor um cessar-fogo de duas semanas, com término previsto para a noite de terça-feira (21). As conversas permanecem frágeis.
O Irã exige que o cessar-fogo também se estenda ao Líbano, onde Israel tem intensificado ataques no sul do país e em áreas de Beirute, em ações que visam ocupar partes do território vizinho. Os Estados Unidos, por sua vez, têm adotado medidas contra navios que se dirigem a portos iranianos para pressionar Teerã nas negociações.
O Conselho de Segurança da Rússia publicou um comunicado alertando que as conversações poderiam ser usadas por Estados Unidos e Israel como fachada para preparar uma operação terrestre, enquanto os Estados Unidos reforçam sua presença militar na região. Analistas consultados por agências de notícias consideram que o cessar-fogo pode estar servindo como uma pausa operacional para reposicionamento das forças norte-americanas.
A agência iraniana Tasnim informou que negociadores do Irã consideram improvável um acordo na próxima rodada de conversações mediadas pelo Paquistão, enquanto não forem concluídas preliminares consideradas necessárias para estabelecer um quadro adequado de negociações.




