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quinta-feira, abril 16, 2026

Caso BRB/Master: “Todos estamos pagando a conta”, diz bancário

A Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025, revelou um esquema de fraudes financeiras que envolveu o Banco de Brasília (BRB) e o banco Master. A investigação atingiu a confiança na instituição pública do Distrito Federal e tem impactos diretos na rotina dos cerca de 5 mil empregados do BRB.

A apuração inclui negociações que resultaram na compra, pelo BRB, de bilhões de reais em créditos do Master e no anúncio da intenção de adquirir parte da instituição por R$ 2 bilhões. O Banco Central rejeitou a operação antes de determinar a liquidação extrajudicial do Master. O banqueiro Daniel Vorcaro está preso desde o início de março.

A investigação já alcançou dirigentes do BRB. O então presidente do banco, Paulo Henrique Costa (PHC), foi afastado por decisão judicial e preso preventivamente na quarta fase da operação, deflagrada nesta quinta-feira (16). Funcionários vêm sendo convocados pela Polícia Federal e por auditores para depoimentos sobre as negociações com o Master.

A crise institucional gerou procura de clientes por informações e por esclarecimentos sobre a solidez do banco e a segurança de aplicações. Entre os afetados estão também aposentados: cerca de 3 mil beneficiários têm planos de saúde e previdência complementar vinculados à instituição.

A Previdência BRB informou dispor de patrimônio segregado superior a R$ 4,39 bilhões, separado dos recursos de patrocinadores e instituidores. Em comunicado oficial, o banco destacou que mantém a gestão autônoma e independente desses recursos.

O BRB administra mais de R$ 80 bilhões em ativos e atende mais de 10 milhões de clientes. Entre as iniciativas recentes da instituição está o Nação BRB Fla, banco digital criado em parceria com o Flamengo, que soma quase 4 milhões de clientes.

Na avaliação do mercado, a falta de clareza sobre o impacto das operações com ativos do Master e a ausência de um plano público de recuperação contribuíram para o rebaixamento da nota do BRB pela agência Moody’s. A agência apontou a necessidade de uma injeção relevante de capital para evitar dificuldades no cumprimento de compromissos.

Desde o início da crise, o BRB tem se comunicado por meio de Avisos aos Acionistas, Comunicados ao Mercado e Fatos Relevantes. Diretores e funcionários foram orientados a evitar declarações à imprensa. Paralelamente, o banco lançou uma campanha institucional afirmando que segue em funcionamento.

O novo presidente da instituição, Nelson de Souza, nomeado após o afastamento de PHC, deixou de comparecer a uma reunião da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Distrito Federal e foi oficialmente convocado para prestar esclarecimentos em data a ser definida. A ausência motivou a aprovação da convocação pela CCJ.

A crise também afetou projetos de expansão do BRB. Planos de abertura de agências e de gestão de folhas de pagamento em outras unidades da federação foram suspensos, e a convocação dos aprovados no concurso de 2022, cerca de 400 pessoas, ficou condicionada à definição de uma solução para a situação do banco.

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, reuniu-se com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e informou que a diretoria do BRB trabalha na apresentação de uma solução para a crise, com prazo previsto de até 30 dias. Em nota oficial sobre a prisão de PHC, a governadora colocou os fatos sob análise do Poder Judiciário e afirmou que foram adotadas providências e houve colaboração com as autoridades competentes.

A falta de divulgação do balanço consolidado de 2025 e de outros documentos contábeis tem sido apontada como fator que agrava a crise de confiança no banco. O adiamento das assembleias gerais para análise das contas de 2025 e para eleição de novos conselhos está agendado para ocorrer em 30 de abril.

Autoridades e órgãos de fiscalização, como o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários, seguem acompanhando o caso. A reportagem entrou em contato com a assessoria do BRB, mas não obteve retorno até a publicação.

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