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sábado, abril 18, 2026

Peru: ultraconservador e a esquerda disputam voto a voto vaga para o segundo turno

A eleição presidencial do Peru permanece indefinida cinco dias após o início da apuração. O pleito de domingo (17) reuniu 35 candidatos e ocorre num país que busca seu nono presidente em apenas dez anos, em meio a intensa instabilidade política.

Keiko Fujimori garantiu matematicamente vaga no segundo turno, com 17% dos votos válidos — cerca de 2,6 milhões de sufrágios entre um eleitorado de 27 milhões. O segundo lugar ainda não está decidido: Roberto Sánchez aparece com 12% (1,890 milhão de votos) e Rafael López Aliaga com 11,9% (1,877 milhão), diferença inferior a 3 mil votos entre ambos.

O segundo turno foi marcado para 7 de junho. Até a tarde desta sexta-feira, 93,3% das urnas haviam sido contabilizadas.

Keiko Fujimori é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o país entre 1990 e 2000 e foi condenado por violações de direitos humanos. Esta é a quarta disputa presidencial de Keiko; ela perdeu no segundo turno em 2011, 2016 e 2021.

Roberto Sánchez é aliado do ex-presidente Pedro Castillo. Sánchez foi ministro do Comércio Exterior e Turismo no governo de Castillo, em 2021, e atua como deputado pelo partido Juntos Pelo Peru. Entre propostas atribuídas ao seu programa estão a nacionalização de recursos naturais, a convocação de uma nova constituinte e a ampliação de direitos trabalhistas. Sánchez também esteve envolvido na defesa do projeto do Porto de Chancay, financiado com fortes aportes chineses para escoamento de produção à Ásia.

Rafael López Aliaga, ex-prefeito de Lima, apresenta-se como ultraconservador e tem sido comparado, em análises políticas, a figuras do conservadorismo internacional. Aliaga chegou a liderar parcialmente a apuração, mas foi ultrapassado à medida que foram computados votos de áreas rurais. Em seguida, denunciou fraude eleitoral sem apresentar provas.

A Missão da União Europeia que acompanha a eleição informou preliminarmente não ter identificado indícios de fraude, apesar de registrar atrasos em 13 locais de votação em Lima, que afetaram cerca de 55 mil eleitores.

O quadro político peruano é marcado por sucessivas crises. Desde 2016, o país teve nove presidentes em dez anos, com renúncias e destituições frequentes. Na eleição de 2021, Pedro Castillo venceu Keiko Fujimori, mas foi afastado e preso após tentativa de dissolver o Parlamento. Em novembro de 2025, Castillo foi condenado a mais de 11 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

Após o afastamento de Castillo, assumiu a vice-presidente Dina Boluarte. As repressões a manifestações contra a destituição resultaram em 49 mortes, segundo cálculo da Anistia Internacional. Boluarte foi destituída pelo Congresso em 10 de outubro de 2025. Em seguida, o presidente do Parlamento, José Jerí, assumiu e acabou também destituído em 17 de fevereiro do mesmo ano. O cargo ficou então com José María Balcázar Zelada, escolhido por eleição indireta no Congresso, instituição que tem exercido forte influência política no país.

O Peru é o quarto país mais populoso da América do Sul, com cerca de 34 milhões de habitantes. Mantém com o Brasil a segunda maior fronteira bilateral, com aproximadamente 2,9 mil quilômetros.

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