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quinta-feira, abril 23, 2026

Vendas em supermercados sobem 1,92% no 1º trimestre

O consumo dos brasileiros em supermercados cresceu 1,92% no primeiro trimestre de 2026, segundo balanço divulgado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) nesta quinta-feira (23).

Em março, o consumo avançou 6,21% em relação a fevereiro. Na comparação com março de 2025, o aumento foi de 3,20%. Todos os números foram deflacionados pelo IPCA (IBGE) e abrangem todos os formatos de supermercado.

A Abras atribuiu o salto de março à antecipação de compras para a Páscoa e ao efeito-calendário, uma vez que fevereiro tem menos dias. A entidade também relacionou o desempenho à entrada de recursos na economia: em março o Bolsa Família alcançou 18,73 milhões de lares, com transferências de R$ 12,77 bilhões, e o segundo lote do PIS/PASEP injetou cerca de R$ 2,5 bilhões.

O índice Abrasmercado, que acompanha a variação de preços de uma cesta de 35 produtos de consumo massivo, subiu 2,20% em março. Em janeiro e fevereiro, as variações haviam sido -0,16% e +0,47%, respectivamente. Com isso, o valor médio da cesta passou de R$ 802,88 para R$ 820,54.

Entre itens básicos, as maiores altas em março foram do feijão (+15,40%) e do leite longa vida (+11,74%). No acumulado do trimestre, o feijão subiu 28,11% e o leite longa vida, 6,80%. Também registraram aumento massa sêmola de espaguete (+0,91%), margarina cremosa (+0,84%) e farinha de mandioca (+0,69%).

As principais quedas entre os básicos ocorreram no açúcar refinado (-2,98%), café torrado e moído (-1,28%), óleo de soja (-0,70%), arroz (-0,30%) e farinha de trigo (-0,24%).

No grupo de proteínas, houve alta nos ovos (+6,65%) e na carne bovina, com o corte traseiro subindo 3,01% e o dianteiro 1,12%. Frango congelado (-1,33%) e pernil (-0,85%) recuaram em março. No trimestre, o corte traseiro da carne bovina acumulou alta de 6,29%.

Entre hortifrutis, os maiores aumentos foram do tomate (+20,31%), cebola (+17,25%) e batata (+12,17%). No acumulado do trimestre, essas altas chegaram a 45,43%, 14,06% e 14,04%, respectivamente, refletindo influência da sazonalidade e da oferta.

Em higiene pessoal, os preços subiram para sabonete (+0,43%), xampu (+0,34%), papel higiênico (+0,30%) e creme dental (+0,13%). Na limpeza doméstica, aumentaram detergente líquido para louças (+0,90%), desinfetante (+0,74%) e água sanitária (+0,38%), enquanto o sabão em pó recuou 0,29%.

Por região, a maior variação da cesta em março foi no Nordeste, com alta de 2,49% (de R$ 720,53 para R$ 738,47). As demais regiões registraram: Sudeste +2,20% (de R$ 822,76 para R$ 840,86); Sul +1,92% (de R$ 871,83 para R$ 888,57); Centro-Oeste +1,83% (de R$ 753,20 para R$ 766,96); Norte +1,82% (de R$ 875,01 para R$ 890,93).

Para o segundo trimestre, a Abras informou que o consumo pode continuar em alta com a antecipação do 13º salário de aposentados e pensionistas do INSS — estimativa de R$ 78,2 bilhões em depósitos a partir de 24 de abril para cerca de 35,2 milhões de segurados — e com o pagamento do primeiro lote de restituições do Imposto de Renda de 2026, previsto em torno de R$ 16 bilhões para cerca de 9 milhões de contribuintes até o final de maio.

A associação também apontou risco de pressões de alta sobre alimentos sensíveis a frete, clima e oferta, citando o impacto do aumento do preço do petróleo e do transporte no custo de reposição em cadeias logísticas mais longas.

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