O Dia Internacional do Trabalhador, celebrado em 1º de maio, é feriado em muitos países e tem origem nas grandes mobilizações operárias do final do século 19.
Em 1º de maio de 1886, greves nos Estados Unidos, centradas em Chicago, exigiam a redução da jornada à marca de oito horas diárias. As manifestações foram duramente reprimidas, com confrontos entre trabalhadores e forças policiais e registros de mortes entre manifestantes e policiais.
A data ganhou reconhecimento internacional no congresso da Segunda Internacional, realizado em Paris em 1889. A organização convocou celebrações para 1º de maio de 1890, consagrando o dia como marco das lutas pela jornada de oito horas e em memória das vítimas de Chicago.
A luta por menos horas de trabalho acompanhou transformações na indústria, como a passagem do pagamento por peça para remuneração por hora. Proprietários resistiam à redução da jornada por considerarem que isso elevaria custos e diminuiria a produção, o que motivou greves e ações coletivas para demonstrar a viabilidade da reivindicação.
No Brasil, há divergência sobre a cronologia das comemorações. Existem registros de manifestações laborais desde o fim do século 19 e também relatos de celebrações vinculadas à década de 1920. Durante o Estado Novo e a consolidação de políticas trabalhistas na era Vargas, o governo passou a intervir diretamente nas questões do trabalho. Entre 1938 e 1939, a comemoração como dia de greve foi proibida e, em 1940, 1º de maio foi fixado como feriado oficial, o que reduziu o controle exclusivo do movimento operário sobre o significado da data.
Ao longo do século 20 e nas primeiras décadas do 21, o papel da classe operária organizada diminuiu em parte devido à redução relativa do emprego industrial, à automação, à globalização das cadeias produtivas e ao fortalecimento do setor de serviços. Essas mudanças alteraram a composição do mundo do trabalho e enfraqueceram algumas formas tradicionais de mobilização sindical.
A pauta do 1º de maio também evoluiu. Além da reivindicação por jornada e salários, passaram a ganhar espaço temas como precarização, informalidade, trabalho por aplicativos, terceirização, trabalho de cuidado, desigualdades raciais no mercado de trabalho, e relações entre tecnologia, meio ambiente e vida fora do emprego.
Propostas recentes de alteração da jornada, como modelos de escala 6×2, retomam debates antigos sobre produtividade, custo do trabalho e equilíbrio entre vida e emprego. Ao mesmo tempo, reformas legislativas e previdenciárias nas últimas décadas alteraram direitos e idades de aposentadoria, gerando controvérsia sobre impactos para trabalhadores formais.
Em nível internacional, a data é celebrada de maneiras distintas. Países como Nova Zelândia adotaram datas próprias (o Dia do Trabalho é na quarta segunda-feira de outubro). Na Austrália, a comemoração varia conforme o estado. Estados Unidos e Canadá reservam o primeiro feriado de setembro para o Labor Day, em parte para dissociar a celebração do movimento socialista histórico ligado ao 1º de maio.
Hoje, 1º de maio permanece como memória das conquistas trabalhistas e como oportunidade para denúncias e reivindicações diante das transformações e fragilidades atuais do mundo do trabalho.




