Um estudo publicado pelo Instituto de Economia do Trabalho (IZA), da Alemanha, concluiu que a redução da jornada de trabalho em cinco países europeus entre 1995 e 2007 não provocou queda do Produto Interno Bruto nem teve impacto estatisticamente relevante sobre o nível de emprego.
A pesquisa, assinada por Cyprien Batut, Andrea Garnero e Alessandro Tondini e divulgada em setembro de 2022, foi financiada pela Fundação Deutsche Post. O levantamento abrangeu França, Itália, Bélgica, Portugal e Eslovênia, períodos anteriores à crise de 2008.
Os autores analisaram 32 setores da economia a partir de bases de dados europeias e cortaram a série em 2007 para evitar distorções ligadas à crise financeira global. Foram excluídos setores com elevada participação de trabalhadores autônomos ou do setor público, como agricultura, educação, saúde, assistência social e atividades artísticas e de entretenimento.
Os resultados apontam que o PIB desses países teve crescimento relativamente robusto no período estudado. Além disso, a redução do horário padrão de trabalho não trouxe efeitos significativos sobre o emprego. Houve efeitos positivos, mas estatisticamente insignificantes, sobre salários por hora e valor adicionado por hora trabalhada.
Segundo o estudo, é possível que a combinação de menor jornada e aumento do custo do trabalho por hora tenha sido rapidamente assimilada pelas economias, sem provocar quedas expressivas na atividade ou no emprego. Esses achados contradizem tanto a hipótese de que a redução de horas levaria automaticamente à criação de vagas por meio de redistribuição do trabalho quanto a visão de que o aumento do custo horário, sem perda salarial, causaria demissões significativas.
Os autores também observam que reduzir a jornada sem redução salarial pode se assemelhar, em seus efeitos, a um aumento do salário mínimo. Ainda assim, ressaltam que a análise se concentra em níveis de emprego e não substitui a avaliação de bem-estar e produtividade dos trabalhadores. Segundo o estudo, se a diminuição da jornada não reduzir rendimentos nem gerar desemprego e proporcionar mais tempo livre, pode haver ganho de bem-estar. Ademais, retornos decrescentes de jornadas longas indicam que semanas de trabalho mais curtas podem trazer ganhos de produtividade e ajudar na atração e retenção de pessoal.
Os resultados do IZA diferem de projeções divulgadas no Brasil no debate sobre o fim do sistema 6×1, em que algumas estimativas apontam para perda de PIB e postos de trabalho, enquanto outras sugerem aumento de contratações decorrente da redução das horas trabalhadas.




