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quarta-feira, junho 17, 2026

Natureza e conhecimentos tradicionais inspiram projeto premiado em escola rural

A Escola Municipal do Campo Professora Andréa Ferraz de Oliveira, em Itararé, no interior de São Paulo, transformou quintais e áreas verdes em ambientes de aprendizagem e aproximou ainda mais a comunidade da rotina escolar. A proposta buscou resgatar memórias, fortalecer vínculos locais e valorizar conhecimentos transmitidos entre gerações.

A experiência rendeu à unidade o Prêmio Escolas Baseadas na Natureza no ano passado. Com o projeto Salas Abertas: Reconectar com a Natureza, a escola ampliou as atividades para além das salas convencionais e passou a usar diferentes espaços ao ar livre como parte do processo educativo.

Entre os eixos da iniciativa estão a valorização das tradições da região e a busca por práticas que contribuam para a qualidade de vida no território. Nesse contexto, a história de Eusa Rodrigues Pereira, moradora da comunidade e ex-cozinheira da escola por mais de 30 anos, ganhou destaque como símbolo da ligação entre saberes tradicionais e pertencimento.

O projeto incorporou o Berçário das Plantas, formado por horta, pomar e casa de sementes, com técnicas inspiradas na comunidade quilombola da região. A estrutura foi construída com apoio de moradores da Comunidade Quilombola Fazenda Silvério e de estudantes, e a casa de sementes recebeu o nome de Casa de Sementes Eusa Rodrigues Pereira. A ex-funcionária segue participando de visitas e eventos na unidade, mesmo após a aposentadoria.

No espaço, crianças desenvolvem atividades de pesquisa, plantio e experimentação. A proposta inclui também uma cozinha brincante, uso de sementes, contato com barro e cultivo de alimentos, com foco em educação alimentar e segurança nutricional.

Outro ambiente criado pela escola é o Canto da Calma, que reúne jardim, área de leitura e redário. O local passou a ser usado para momentos de regulação emocional e incentivo à leitura em contato com a natureza.

As mudanças também alcançaram atividades pedagógicas mais práticas. Um laboratório foi adaptado para experimentos com plantas, comparação de canteiros com diferentes tipos de manejo e produção de defensivos orgânicos. Segundo a equipe escolar, a iniciativa tornou o aprendizado mais concreto e estimulou professores e alunos a explorarem melhor os espaços externos.

A premiação ajudou a viabilizar melhorias estruturais e a reorganização das áreas abertas como salas de aula. A equipe avalia que o projeto fortaleceu o trabalho pedagógico e ampliou o impacto da escola na comunidade.

A nova edição do Prêmio Escolas Baseadas na Natureza está com inscrições abertas até 29 de junho. Cinco escolas públicas municipais serão selecionadas e receberão R$ 100 mil cada, além de acompanhamento técnico nas áreas de arquitetura e educação.

A iniciativa é promovida pelo Instituto Motiva, com apoio técnico e pedagógico do Instituto Alana e do Instituto Crescer. O programa é voltado a escolas de 255 municípios em 13 estados onde a Motiva atua.

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