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quinta-feira, junho 18, 2026

Colômbia elege presidente em disputa entre esquerda e direita alinhada a Trump

Os colombianos voltam às urnas no próximo domingo, dia 21, para decidir o segundo turno da eleição presidencial entre Iván Cepeda, candidato de esquerda e aliado do presidente Gustavo Petro, e Abelardo De La Espriella, nome da extrema-direita apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

No primeiro turno, realizado em 31 de maio, De La Espriella terminou na frente por 673 mil votos. A disputa envolveu um eleitorado de mais de 41 milhões de pessoas, e a participação foi de 57%, já que o voto na Colômbia não é obrigatório.

O resultado desta eleição pode influenciar o equilíbrio político na América do Sul, em meio à pressão do governo norte-americano por maior alinhamento dos países da região à política externa da Casa Branca.

Especialistas avaliam que uma vitória de De La Espriella fortaleceria a capacidade de influência de Trump no continente e poderia afetar iniciativas regionais ligadas à redução das desigualdades, à transição energética e à preservação ambiental. Já um triunfo de Cepeda manteria a aproximação entre Colômbia, Brasil e México, países que têm adotado posições semelhantes em temas internacionais.

Cepeda representa a continuidade do projeto do Pacto Histórico, coalizão que levou ao primeiro governo de esquerda da história colombiana, sob comando de Gustavo Petro.

A eleição ocorre em um país marcado por mais de cinco décadas de conflitos armados e por episódios recorrentes de violência política. O governo Petro tentou avançar com a política de “Paz Total”, mas não conseguiu encerrar os confrontos com grupos armados.

Ao mesmo tempo, a Colômbia, com 53 milhões de habitantes e a segunda maior população da América do Sul, apresenta indicadores econômicos estáveis. O país também aprovou reformas trabalhista e previdenciária, que ampliaram direitos de trabalhadores e aposentados.

Senador em seu terceiro mandato, Iván Cepeda é filósofo e militante dos direitos humanos. Ele é filho do ex-senador Manuel Cepeda Vargas, assassinado em 1994 durante um dos períodos mais violentos da história política colombiana.

Abelardo De La Espriella, por sua vez, nunca ocupou cargo eletivo e construiu imagem de outsider. Advogado milionário, ele viveu na Itália antes de entrar na corrida presidencial e atuou em casos de alta repercussão, incluindo a defesa de figuras associadas a setores controversos da política e dos negócios colombianos. O candidato defende uma aproximação maior com os governos dos Estados Unidos e de Israel.

Apesar da vantagem obtida por De La Espriella no primeiro turno e do apoio recebido de outros nomes da direita, o desfecho segue indefinido. Analistas observam que parte do eleitorado de centro deve ter peso na decisão final, além da possibilidade de parte dos apoiadores da direita não migrar automaticamente para o candidato extremista.

A comparação mais recente feita por observadores é com a eleição de 2022, quando Gustavo Petro também começou atrás no primeiro turno e conseguiu vencer a disputa final.

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