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segunda-feira, abril 27, 2026

Correios avaliam abrir capital e contraem empréstimo de R$ 12 bilhões com bancos

Os Correios anunciaram nesta segunda-feira (29) um plano de reestruturação que prevê mudança no regime societário da estatal e a possibilidade de abertura de capital. A medida tem como objetivo enfrentar déficits acumulados desde 2022.

Hoje 100% pública, a empresa pode passar a ser de economia mista, permitindo a entrada de acionistas privados, modelo adotado por companhias como Petrobras e Banco do Brasil. A consultoria contratada para avaliar o processo ainda deve apresentar propostas sobre a nova estrutura societária.

No conjunto de medidas, a estatal planeja fechar cerca de 1.000 agências próprias e promover cortes de despesas estimados em R$ 5 bilhões até 2028. O pacote inclui venda de imóveis e dois planos de demissão voluntária para reduzir o quadro de pessoal em 15 mil funcionários até 2027.

Para equilibrar as contas, os Correios fecharam um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos. Do total, R$ 10 bilhões serão desembolsados ainda em 2025 e R$ 2 bilhões em janeiro de 2026. O contrato prevê carência de três anos. Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Bradesco aportaram R$ 3 bilhões cada; Itaú e Santander, R$ 1,5 bilhão cada.

Mesmo com a linha de crédito, a companhia busca cerca de R$ 8 bilhões adicionais, que poderão vir de novos empréstimos ou de aportes do Tesouro Nacional. A decisão sobre a melhor opção deverá ser avaliada ao longo de 2026.

Os cortes e a reorganização ocorrem após sucessivos resultados negativos desde 2022. A empresa registra um déficit estrutural estimado em R$ 4 bilhões por ano em razão das obrigações de universalização dos serviços. Em 2025, os nove primeiros meses mostraram saldo negativo de R$ 6 bilhões, e o patrimônio líquido está negativo em R$ 10,4 bilhões.

A direção dos Correios aponta que a crise financeira tem ligação com a mudança do mercado postal desde 2016, em função da digitalização das comunicações e da consequente redução do volume de correspondências. A chegada de novos competidores no setor de logística e e-commerce também é citada como fator de pressão sobre as receitas. A estatal observou ainda que outros serviços postais no exterior têm enfrentado perdas e adotado medidas para reequilibrar finanças.

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