A bactéria **Pseudomonas aeruginosa**, identificada em produtos da Ypê, é um micro-organismo com alta resistência a antibióticos e pode representar risco maior para pessoas com a saúde fragilizada. A avaliação foi feita por especialistas ouvidos pela Agência Brasil.
Segundo o infectologista Celso Ferreira Ramos Filho, a bactéria é comum no ambiente e pode ser encontrada em água, solo e itens úmidos usados no dia a dia, como esponjas e panos de limpeza. Ele explicou que, em condições normais, ela não costuma provocar doenças em pessoas saudáveis, mas pode se tornar perigosa em ambientes hospitalares e em pacientes submetidos a procedimentos invasivos.
A médica Raiane Cardoso Chamon, professora da Universidade Federal Fluminense, destacou que o problema é mais grave entre imunocomprometidos, como pacientes em quimioterapia, pessoas com doenças pulmonares crônicas, usuários de sondas e ventilação mecânica, além de casos de fibrose cística. Nessas situações, a bactéria pode causar infecções urinárias, respiratórias, de corrente sanguínea e pneumonia.
Ela também observou que, embora o risco seja maior em hospitais, pessoas saudáveis não estão totalmente livres de contaminação. Em alguns casos, a bactéria pode provocar quadros como a chamada otite de nadador, associada ao contato com água de piscinas, rios e praias.
Os especialistas avaliam que a presença do micro-organismo em produtos de limpeza pode ter ocorrido durante o processo de fabricação, caso não tenha havido controle microbiológico adequado. Em ambientes úmidos e com resíduos de detergentes, a bactéria pode se multiplicar com facilidade.
Na quinta-feira (7), a Anvisa determinou o recolhimento de lava-louças, sabão líquido para roupas e desinfetantes da Ypê com número de lote final 1. Esses produtos não podem mais ser usados pelos consumidores.
Em nota, a empresa afirmou que colabora com a Anvisa e que está realizando análises e testes complementares para apresentar os resultados ao órgão regulador. A companhia disse ainda que mantém um plano de ação e conformidade regulatória em conjunto com a agência desde dezembro de 2025.
A Agência Brasil informou que procurou a Ypê na sexta-feira (8), mas não obteve resposta da assessoria de imprensa até a publicação da reportagem.




