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quinta-feira, junho 18, 2026

Golpistas usam promessa de dinheiro fácil e Pix como principais iscas

Promessas de ganho rápido associadas a marcas conhecidas e pagamentos imediatos via Pix se consolidaram como a fórmula mais usada em golpes online no Brasil. A constatação está na segunda edição do relatório **A Jornada dos Golpes**, divulgada nesta quarta-feira (17) pelo Observatório Lupa, núcleo de pesquisa da Agência Lupa.

O levantamento analisou 115 conteúdos fraudulentos que viralizaram no país entre maio de 2024 e abril de 2026. Segundo o estudo, cerca de um terço das fraudes exigia pagamento exclusivamente por Pix. Em 71% dos casos, havia promessa de alguma vantagem financeira. Já em 74% das ocorrências, os golpistas recorreram à imagem de empresas ou personalidades conhecidas para dar aparência de legitimidade às mensagens.

A pesquisa mostra que grande parte dessas ações segue modelos repetidos, com pequenas adaptações ao longo do ano. Entre os formatos mais recorrentes estão promoções falsas, indenizações inexistentes, vagas de emprego fraudulentas, benefícios sociais inventados e brindes supostamente gratuitos. Esses conteúdos costumam ser adaptados a datas comemorativas e temas em destaque no noticiário.

O relatório aponta ainda que os criminosos não precisam criar esquemas inéditos para continuar enganando vítimas. Em vez disso, reaproveitam estruturas que já deram resultado, ajustando a narrativa ao contexto do momento e explorando a confiança do público em marcas, instituições e figuras públicas.

A chamada distorção de fatos reais aparece como uma das principais estratégias. Em 66% dos golpes analisados, a fraude partiu de informações verdadeiras que foram manipuladas para formar narrativas enganosas. Isso inclui o uso indevido de reportagens, comunicados oficiais, campanhas legítimas, decisões judiciais, programas governamentais e páginas institucionais. No levantamento anterior, esse índice era de 55%.

O estudo identificou que mais de 15 empresas dos setores de varejo, bancos, marketplaces e plataformas digitais tiveram suas marcas usadas indevidamente por golpistas. Entre os nomes mais explorados estão Mercado Livre e Nubank, com quatro ocorrências cada. Shopee, Serasa e Rede Globo também aparecem entre os alvos mais frequentes.

Além de empresas, os fraudadores recorreram com frequência a nomes de personalidades públicas, jornalistas, médicos e influenciadores para reforçar a aparência de autenticidade das mensagens.

As fraudes começam, na maioria das vezes, em redes sociais abertas, como Facebook, Instagram e TikTok, e depois avançam para canais mais privados. Nessa etapa, os golpistas costumam usar formulários online para coletar dados pessoais e aplicativos de mensagens para dar sequência ao contato.

Entre maio de 2025 e abril de 2026, o WhatsApp apareceu em quase 65% dos casos analisados, tornando-se o principal meio de circulação desse tipo de conteúdo no país.

O relatório também destaca o papel dos pagamentos instantâneos nesse modelo de crime. Em muitos golpes, o Pix é apresentado como única forma de quitar supostas taxas necessárias para liberar benefícios, promoções, brindes ou indenizações que não existem.

O documento chama atenção ainda para a atuação das plataformas digitais na difusão e na monetização desses conteúdos. Em novembro de 2025, documentos internos da Meta divulgados pela imprensa indicaram que a companhia teria arrecadado cerca de US$ 16 bilhões em 2024 com anúncios ligados a golpes e produtos proibidos, valor equivalente a aproximadamente 10% da receita anual da empresa.

O Observatório Lupa afirma que esse episódio reforçou o debate sobre fiscalização de anúncios e responsabilidade das plataformas na prevenção de fraudes.

Para o estudo, o combate aos golpes digitais depende de ação conjunta entre empresas de tecnologia, instituições financeiras, poder público, imprensa e usuários. O relatório conclui que essas fraudes seguem padrões relativamente estáveis de narrativa, distribuição e monetização, o que pode ajudar na prevenção e na proteção de vítimas em potencial.

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