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segunda-feira, junho 22, 2026

Bolívia encerra bloqueios após estado de exceção e acordo com sindicato

Os bloqueios de rodovias na Bolívia diminuíram após a assinatura de um acordo entre o governo do presidente Rodrigo Paz e a Central Operária da Bolívia (COB), na sexta-feira (19), e depois da decretação do estado de exceção, aprovada pelo Parlamento na madrugada deste domingo (21).

A medida autoriza o governo a impor toque de recolher em áreas específicas e a empregar as Forças Armadas na repressão a manifestantes. O país vinha registrando 50 dias de protestos e interdições em estradas contra políticas classificadas pelos opositores como neoliberais.

Neste domingo, a Administradora de Estradas Bolivianas (ABC) informou 31 pontos de bloqueio em rodovias de La Paz, Cochabamba, Oruro e Santa Cruz. Ao longo do dia, esse número caiu para 12, segundo o sistema de monitoramento em tempo real da estatal responsável pelas estradas.

Nos últimos dias, a Bolívia chegou a superar 80 bloqueios em alguns momentos. O desgaste prolongado das mobilizações, que afetaram o abastecimento de alimentos e medicamentos em várias cidades, tem contribuído para a redução das ações, segundo avaliação de pesquisadores.

Os protestos se intensificaram desde janeiro e alcançaram o auge entre maio e junho, após a aprovação de uma lei de terras criticada por camponeses. A partir daí, os atos passaram a incluir pedidos de renúncia de Rodrigo Paz, que está no poder há sete meses, após quase duas décadas de governos de esquerda no país.

O bloqueio de rodovias é uma prática recorrente na história política boliviana e tem sido usado por movimentos sociais como forma de pressão sobre os governos. A estratégia, embora eficaz para paralisar cidades, exige longo tempo de mobilização e alto custo para os participantes.

No dia anterior ao estado de exceção, o governo havia fechado um acordo com a COB, principal central sindical do país, que também aderiu aos protestos com reivindicações salariais e críticas ao custo de vida. O entendimento prevê um período de 90 dias para acompanhar o cumprimento dos compromissos assumidos.

Entre os termos divulgados, estão a não criminalização dos protestos, a ausência de perseguição a lideranças sociais e sindicais e a criação de uma comissão para discutir a liberação de pessoas presas durante as manifestações. O governo também assumiu o compromisso de não privatizar empresas públicas estratégicas nem transferir recursos nacionais a interesses privados.

Apesar do acordo, Rodrigo Paz anunciou no dia seguinte o estado de exceção. O governo afirma que os bloqueios fazem parte de uma ação organizada de desestabilização e acusa o narcotráfico de financiar os protestos, além de responsabilizar o ex-presidente Evo Morales pelas mobilizações.

Mesmo com a queda no número de interdições, parte dos movimentos sociais continua defendendo a manutenção dos bloqueios até a renúncia de Paz. Organizações camponesas e indígenas afirmam que suas demandas seguem sem resposta e denunciam perseguição a lideranças e mortes de manifestantes nas últimas semanas.

A crise evidencia divisões entre os próprios grupos mobilizados, que reúnem setores com agendas diferentes e sem coordenação única. Isso dificulta a construção de uma saída comum para encerrar ou manter os bloqueios nas rodovias bolivianas.

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