Pelo menos 40 pessoas morreram afogadas na França nos últimos dias enquanto tentavam se refrescar durante a onda de calor que atinge grande parte da Europa. O balanço foi divulgado nesta terça-feira (23) pelo primeiro-ministro francês, em meio ao aumento das temperaturas no continente.
A França vive uma situação de alerta severo. Segundo a meteorologia nacional, boa parte do país deve registrar cerca de 40°C nesta terça, com máximas de até 43°C em áreas do oeste. O episódio já provocou a tarde e a noite mais quentes desde o início das medições, em 1947. Ao todo, 54 departamentos estão sob alerta vermelho, em um cenário considerado inédito pelos meteorologistas.
Com o calor extremo, muitos franceses têm buscado alívio em canais e rios. As autoridades, porém, alertam para os riscos de nadar em locais sem autorização ou sem segurança.
Na segunda-feira (22), equipes de emergência não conseguiram reanimar duas crianças, de 2 e 4 anos, encontradas inconscientes pela mãe dentro do carro da família, estacionado em frente à residência, no sudeste do país.
O impacto da onda de calor também chegou ao transporte e à rotina urbana. Em Paris, passageiros enfrentaram temperaturas sufocantes após noites mal dormidas em imóveis pouco preparados para o calor. Alguns trens foram cancelados, incluindo conexões entre Paris e Bruxelas.
Na Itália, o Ministério da Saúde elevou ao nível máximo o alerta em 15 cidades e adotou restrições para algumas atividades. Tempestades com chuva forte, ventos intensos e granizo são esperadas sobre os Alpes e os Apeninos.
O Reino Unido também segue sob forte calor, com previsão de até 37°C no sul da Inglaterra nesta terça-feira, o que pode representar um novo recorde para junho. As temperaturas devem subir ainda mais nos dias seguintes.
Em Londres, tempestades durante a noite agravaram os problemas, afetando inclusive o aeroporto de Heathrow.
A Europa enfrenta uma sequência de episódios mais intensos de calor, fenômeno associado às mudanças climáticas. Segundo a Organização Meteorológica Mundial, o continente aquece mais de duas vezes acima da média global, o que aumenta a frequência e a duração das ondas de calor. As condições atuais foram comparadas pela meteorologia francesa à onda de calor de agosto de 2003, que durou 16 dias e provocou cerca de 80 mil mortes adicionais na Europa. Não há previsão exata de quando o novo episódio vai terminar.




