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quinta-feira, julho 2, 2026

Matrículas em creches crescem 11% em quase uma década

Em 2025, o Brasil tinha 9,4 milhões de crianças de 0 a 5 anos matriculadas em escolas ou creches, segundo dados do módulo Educação da Pnad Contínua, divulgados pelo IBGE em junho.

A pesquisa mostra avanço no acesso à creche entre crianças de 0 a 3 anos. A taxa chegou a 43,3% em 2025, o maior nível da série iniciada em 2016. Isso equivale a cerca de 4,5 milhões de bebês e crianças atendidos nessa faixa etária.

O resultado representa alta de 11% em relação a 2016, quando o índice era de 31,8%, e crescimento de 2,2 pontos percentuais na comparação com 2024, quando estava em 41,1%.

Apesar da melhora, nenhuma das grandes regiões do país alcançou a meta de 50% prevista no Plano Nacional de Educação, que valeu até dezembro de 2025. Pela legislação, o atendimento em creche é um direito, e cabe ao poder público garantir a oferta diante da demanda por vagas.

O novo PNE elevou a meta para a educação infantil no período de 2024 a 2034, estabelecendo atendimento mínimo de 60% das crianças de 3 anos.

Na pré-escola, que atende crianças de 4 e 5 anos e é obrigatória desde 2009, a taxa de atendimento chegou a 96,1% em 2025, também o maior patamar da série. Ainda assim, cerca de 219 mil crianças dessa faixa etária permaneciam fora da escola.

O levantamento também aponta desigualdades importantes. Entre crianças de 0 a 3 anos, 19,6% das pretas, pardas e indígenas estavam fora da escola por dificuldade de acesso, ante 14,2% entre brancas e amarelas.

A diferença por renda é ainda mais acentuada. Entre os 20% mais pobres, 24,2% das crianças não frequentavam a escola por barreiras de acesso. Entre os 20% mais ricos, o índice era de 6,4%.

As disparidades regionais também são expressivas. Santa Catarina lidera o atendimento em creche, com 58,4% das crianças de 0 a 3 anos matriculadas. Já estados do Norte aparecem nas últimas posições, como o Amapá, com 9,4%, além de Acre, Amazonas e Roraima.

Entre os motivos informados pelas famílias para a não frequência à creche, a principal razão foi a decisão dos pais ou responsáveis. Em seguida, aparecem a falta de escola ou creche na localidade, a ausência de vagas e a idade da criança, situações mais frequentes no Norte e no Nordeste.

Na pré-escola, o melhor desempenho entre os estados foi registrado no Piauí, com 99,4% de atendimento, seguido pelo Ceará, com 98,9%. No Amapá, apenas cerca de seis em cada dez crianças de 4 e 5 anos frequentavam a escola.

Para enfrentar o problema, o Ministério da Educação lançou o Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil, com foco na ampliação de vagas e na permanência das crianças na escola. O programa prevê mais de R$ 406 milhões em investimentos em 2026 e 2027 para estados e municípios que aderirem ao termo de compromisso.

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